24/03/2010

Uma visão científica - Os nutrientes - Minerais

Cerca de 4% do nosso peso corporal corresponde à existência de minerais. Estes compostos desempenham as mais diversas funções e podem encontrar-se nos órgãos, esqueleto ósseo, sangue e outros fluídos corporais, combinados com enzimas, integrados em hormonas, proteínas e em muitas outras moléculas.


Os minerais, tal como as vitaminas, não podem ser sintetizados pelo organismo e, por isso, têm que ser fornecidos pela alimentação. Nos alimentos, os minerais encontram-se em grande parte combinados sob a forma de compostos orgânicos e sais minerais, daí que muitas vezes se usem os termos “minerais” e “sais minerais” indiscriminadamente, no entanto é de ter em atenção que os sais minerais dos alimentos só podem ser absorvidos pelo intestino depois de devidamente digeridos e convertidos à sua forma simples. Os minerais contribuem
decisivamente para a regulação da actividade e manutenção celular, facilitam o transporte de diversas substâncias, mantêm a actividade muscular e nervosa, e estão também envolvidos de modo indirecto no processo de crescimento.
Também devemos ter em atenção o facto de alguns minerais serem melhor aproveitados pelo organismo quando a sua fonte alimentar é de origem animal, como é o caso do cálcio e do ferro.

Actualmente conhecem-se centenas de elementos minerais, mas 21 são considerados essenciais: cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, magnésio, ferro, zinco, selénio, manganésio, cobre, iodo, molibdénio, cobalto, crómio, flúor, vanádio, níquel, estanho e silício. 

É de lembrar que existem na natureza diversos minerais que podem actuar como tóxicos, por exemplo: cádmio, mercúrio, chumbo, alumínio, etc. A toxicidade pode surgir por um consumo de pequenas quantidades durante largos períodos de tempo, ou por uma ingestão elevada numa só dose.

Os minerais podem ser divididos em três grupos: os macrominerais, cujas necessidades diárias são superiores a 100mg; os microminerais, cujas necessidades diárias são inferiores a 100mg; e os oligoelementos, cujas necessidades diárias são inferiores a 1 mg. A importância biológica que se atribui a cada mineral não está dependente da sua dose diária recomendada, elementos com doses recomendadas muito baixas são tão importantes como outros com doses recomendadas elevadas.

           
Minerais
Principais Fontes Alimentares
Principais Funções
Sódio
“sal de cozinha” (cloreto de sódio), carne, ovos,
peixe, produtos de salsicharia e charcutaria,
enlatados, determinados queijos, águas
gaseificadas ...
Participa na regulação dos líquidos corporais, na transmissão
electroquímica no músculo e permeabilidade celular.
Potássio
Leguminosas secas, cereais, fruta, hortícolas, carne,
peixe, crustáceos e moluscos
Participa na regulação dos líquidos corporais, na síntese proteica e de
glícidos e na resposta neuromuscular.
Cálcio
Leite e derivados, frutos secos e alguns hortícolas
(couve galega...)
Participa na constituição do tecido ósseo e dentes. Intervém em diversas
funções orgânicas: contracção muscular, sistema nervoso e coagulação
sanguínea.
Fósforo
Carne, peixe, leite e derivados e leguminosas
Participa na constituição dos ossos e dentes e é componente de todas as
células do organismo e de produtos do metabolismo.
Magnésio
Cereais e leguminosas, fruta, vegetais e leite
Participa em quase todos os processos orgânicos. Intervém no
relaxamento muscular, funcionando como antagonista do cálcio.
Ferro
Carne, gema de ovo, pescado, leguminosas como
feijão e lentilha, frutos secos, alguns vegetais
Indispensável a um grande número de funções vitais. Participa ainda no
transporte de O2 e CO2 pelo sangue como constituinte da hemoglobina.
Importante constituinte de enzimas e fundamental para o
desenvolvimento físico e intelectual, bem como para a capacidade de
defesa do organismo perante o risco de infecções.
Flúor
Água, peixe, carne, ovo
Constituinte de ossos e dentes. Aumenta a resistência dentária e evita a
desmineralização óssea.
Iodo
Pescado marinho e produtos enriquecidos em iodo
Participa na regulação do metabolismo e no crescimento e diferenciação
de diversos tecidos nomeadamente nervoso, ósseo e muscular.
Cloro
“Sal de cozinha” (cloreto de sódio), pescado marinho
Participa na regulação dos líquidos corporais, na transmissão dos
impulsos nervosos e na resposta imunitária. É componente do ácido
clorídrico.
Crómio
Gema de ovo, levedura de cerveja, cereais integrais,
cogumelos e vísceras
Potencia a acção da insulina.
Molibdénio
Cereais integrais, leguminosas, frutos gordos e leite
Participa no metabolismo dos glícidos e lípidos.
Enxofre
Carne, peixe, ovos, leite e derivados, feijões e
Castanhas
Actua como anti-oxidante e participa na constituição de aminoácidos.
Zinco
Ostra, feijão, mexilhão e cereais
É essencial para a acção de numerosas enzimas. Participa no
metabolismo proteico, nomeadamente na síntese de ADN, de colagénio e
da insulina.
Cobre
Mariscos, feijões, aves, chocolate, castanhas, fígado
Participa no metabolismo do ferro e nos mecanismos imunitários. É
constituinte de diversas enzimas que participam na síntese de
transmissores nervosos e de proteínas.
Manganésio
Cereais integrais, leguminosas secas, cacau e
Castanha
É cofactor de diversas enzimas que intervêm no metabolismo dos
glícidos.
Cobalto
Vísceras, aves, mariscos, leite e derivados
Participa no normal funcionamento de todas as células, especialmente as
da medula óssea, dos sistemas nervoso e gastrointestinal.
Selénio
Vísceras, peixe, carne, frutos gordos, cereais e
Leguminosas
Participa na manutenção da estrutura e funções das membranas
celulares. Em conjunto com a vitamina E tem propriedades anti-oxidantes.

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